-Perdoa-me, Pedro…
A cara aterrorizada de Pedro, estava assustar-me, mas mesmo assim não parei. Coloquei as minhas mãos sobre o peito dele e aproximei a minha boca ao pescoço comprido de Pedro…
É como se tivesse hipnotizada… não sabia como parar, mas tinha consciência do que estava acontecer… Quando toquei os meus lábios na pele do seu pescoço…
-Rita!? O que é que estás a fazer aqui!? – gritou Carlos assim que nos viu. –Não devias estar aqui!
-Ah? Sim, desculpa! – fugi pela porta fora, corri para fora do pavilhão e fui até às traseiras do pavilhão de ginástica.
Enquanto corria para as traseiras, tropecei numa pedra e cai…
-O que raio estavas a fazer, Rita!? – perguntei a mim mesma. –Porque razão fizestes isto!? Porque queres magoa-lo, se gostas dele!? – desta vez gritei, estava frustrada!
Começou a chover, os alunos que estavam a jogar os campos, os grupinhos que estavam parados a olhar e a conversar e os alunos que estavam de passagem… saíram dali a correr para se abrigarem de chuva…
Levantei-me, olhei para cima e fechei os olhos… A sensação de ânsia fora extinta pela chuva. As gotas de água que caiam na minha cara, acalmavam-me e senti uma paz de espírito e o silêncio era bom era o que eu precisava, mas foi interrompido por passos apressados e pesados, a respiração dele estava rápida, notava-se que tinha estado a correr, baixei a cabeça e os passos pararam, pelo conto do olho conseguia ver os seus pés…
-Rita?
Olhei para ele nos olhos…
-Pedro…
Dito isto, comecei a correr, a fugir dele, não queria ter de enfrenta-lo, não agora!
-Rita, espera! Rita, por favor!
Queria parar, mas não o podia fazer…Para além disso, de certeza que ele ia começar a fazer perguntas das quais eu não sei responder!
***
Cheguei a casa e estava vazia, entrei no meu quarto. Reparei num papelinho que estava em cima da minha secretária junto do portátil, era dos meus pais e dizia: «Hoje o teu pai vai ter um reunião muito importante no Porto e vai ficar por lá uns dias, e eu vou estar em Beja a dar um curso de enfermagem durante três semanas... Desculpa, Rita por teres de ficar sozinha nestes próximos dias, mas sabes como é importante para nós receber um extra para pagar as dívidas. Tens comida já feita e congelada na cozinha e também tens algum dinheiro há entrada, no caso de faltar alguma coisa. Beijinhos, da Mãe e do Pai!» Não gosto do facto de não os poder ver durante alguns dias, tenho medo de que lhes aconteça alguma coisa, mas desta vez preciso mesmo de ficar sozinha por uns dias...
Estava a pensar em faltar às aulas, mas ainda não tenho a certeza... A campainha da porta toca.
-Estranho, quem será a estas horas? Sim, quem é?
-É dos Correios, tenho uma encomenda para a Sr.ª Arminda Sousa.
-Desculpe, mas a minha mãe não est... - e vejo que é o Pedro, eu tento fechar a porta, mas ele consegue entrar primeiro. -O que é que fazes aqui? Por favor, sai Pedro!
-Não! Eu quero saber o que raio aconteceu na casa de banho!
-hum...
-Rita, responde-me por favor! Rita!
-Não sei! Eu não sei, ok! Não faço a menor ideia! Quer dizer, eu sabia o que estava a fazer, mas não conseguia parar!
Ele agarrou-me os braços com força, eu tentei afasta-lo, mas... a sensação voltou e parecia que não era só ânsia, mas também um pouco de raiva ou de medo, não sei dizer, só sei que quando ele me largou eu estava a beber-lhe o sangue pelo pescoço dele com a minha boca senti uns grandes caninos... E foi aí que percebi que era um... Vampiro...
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