10º Capítulo
Se o Diogo era o rapaz que estava na carrinha, então...
-Ah! Cá está ele! O que é que aconteceu? Estás atrasado, miúdo! - a Inês estava com um sorriso de orelha a orelha.
-Desculpa! Não consegui convence-los a voltar para casa e pararem de te procurar - dito isto, virou-se para mim e suspirou de cansaço - nem imaginas o que corremos, até entrares para dentro da carrinha. O Carlos e a Matilde queriam procurar-te num raio de dois ou três quilómetros do sítio de onde te perdemos de vista.
Não tinha a certeza se deveria pedir desculpas ou responder-lhe mal.., por isso, optei por ficar calada e desviar o olhar.
-Olha, desculpa Rita. Por te ter posto naquela situação, mas não tínhamos escolha... Nós só vimos uma maneira para fazer isto... Nós queríamos-te na escola, nós queremos proteger-te, eu quero proteger-te e também queremos proteger os outros... Desculpa... por favor. Eu não te queria magoar... nós só queríamos o melhor para ti.
-Porque não me disseram logo? Eu matei um pessoa! Era mesmo necessário, para saber a verdade?
-Nós pensámos que não irias acreditar...
-Tentavam na mesma!
-Desculpa... Rita, perdoa-me, perdoa-nos...
-Não sei, eu não sei o que eu devo fazer... se devo perdoar ou não...
-Perdoa! E vamos tentar esquecer que isto aconteceu!
-Como é que queres que eu esqueça!? Eu matei a pessoa de quem eu gostava! E só mais tarde, soube... que ele também gostava de mim!
Ele não disse nada, mas dava para ver que estava transtornado. Tentou dizer qualquer coisa, mas conteve-se.
-Acho que é melhor nós sairmos, para vocês conversarem melhor... - disse Inês, dando sinal às outras quatro pessoas que estavam à entrada do quarto 6.09. Assim que saíram, ela fechou a porta. O Diogo sentou-se no sofá e colocou a sua cabeça sobre as palmas das suas mãos que se apoiavam com os cotovelos nos joelhos. Sentei-me ao lado dele e peguei na mão dele e disse:
-Se calhar é melhor esquecer-mos isto, como disseste... Acho que não vale a pena, nós sempre fomos muito próximos e não vamos estragar isso, ok? - eu só queria desatar a chorar, mas não podia, tinha de o apoiar.
-Obrigado... Mas não és tu que me devias estar a consolar, supostamente eu é que tu deveria estar a fazer.
-Eu sei, mas neste momento acho que é a ti que eu devo estar atenta e não a mim. Eu quero ajudar-te.
Ele olhou para mim e sorriu, os seus olhos pareciam que penetravam os meus.
-Queres ver um pouco de televisão, para nos ajudar a esquecer isto tudo? Sabes quantos canais isto tem? - disse tentando desviar o assunto e alegrar o meu amigo.
-Pode ser, acho que tem uns 100 canais.
-Hum... vamos ver onde está a Sic Radical, já são onze da noite, deve estar a dar alguma coisa porca, o que te vai alegrar, hã?
-Tens a certeza? Vê lá se depois não vais a correr para a casa-de-banho vomitar!
Começámos a rir e eu finalmente encontrei o canal.
-Como era de esperar cá está! Cenas porno!
-Olha... - dando-me um encontrão fraquinho.
-O que é?
-Não queres ver outra coisa? Uma série para rir, por exemplo?
-Se calhar é melhor... não estou a gostar nada desta cena... - ele olhou para a minha cara de nojo e riu-se.
-É melhor mudares, vai ficar ainda pior.
-A sério? Como é que vocês conseguem ver isto?
-Isso agora...!
-Ó meu Deus, que nojo!
-Dá cá o comando, eu mudo!
-Ó meu... obrigada!
-Hum... para mim tu estavas a gostar...
-Quê!?
-Sim, nunca mais mudavas de canal!
-Deve ser, deve!
Desta vez as gargalhadas foram mais altas. Ficámos os dois a ver a série de comédia, a mais estúpida que eu já vi, no intervalo fui preparar umas sandes mistas com batatas fritas e o Diogo foi procurar um tabuleiro e uma manta.
Quando a comédia acabou já estávamos a dormir e eu estava contente... e ansiosa pelo dia de amanhã!
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