terça-feira, 3 de abril de 2012

Uma Nova Experiência

10º Capítulo
 Se o Diogo era o rapaz que estava na carrinha, então...
 -Ah! Cá está ele! O que é que aconteceu? Estás atrasado, miúdo! - a Inês estava com um sorriso de orelha a orelha.
 -Desculpa! Não consegui convence-los a voltar para casa e pararem de te procurar - dito isto, virou-se para mim e suspirou de cansaço - nem imaginas o que corremos, até entrares para dentro da carrinha. O Carlos e a Matilde queriam procurar-te num raio de dois ou três quilómetros do sítio de onde te perdemos de vista.
 Não tinha a certeza se deveria pedir desculpas ou responder-lhe mal.., por isso, optei por ficar calada e desviar o olhar.
 -Olha, desculpa Rita. Por te ter posto naquela situação, mas não tínhamos escolha... Nós só vimos uma maneira para fazer isto... Nós queríamos-te na escola, nós queremos proteger-te, eu quero proteger-te e também queremos proteger os outros... Desculpa... por favor. Eu não te queria magoar... nós só queríamos o melhor para ti.
 -Porque não me disseram logo? Eu matei um pessoa! Era mesmo necessário, para saber a verdade?
 -Nós pensámos que não irias acreditar...
 -Tentavam na mesma!
 -Desculpa... Rita, perdoa-me, perdoa-nos...
 -Não sei, eu não sei o que eu devo fazer... se devo perdoar ou não...
 -Perdoa! E vamos tentar esquecer que isto aconteceu!
 -Como é que queres que eu esqueça!? Eu matei a pessoa de quem eu gostava! E só mais tarde, soube... que ele também gostava de mim!
 Ele não disse nada, mas dava para ver que estava transtornado. Tentou dizer qualquer coisa, mas conteve-se.
 -Acho que é melhor nós sairmos, para vocês conversarem melhor... - disse Inês, dando sinal às outras quatro pessoas que estavam à entrada do quarto 6.09. Assim que saíram, ela fechou a porta. O Diogo sentou-se no sofá e colocou a sua cabeça sobre as palmas das suas mãos que se apoiavam com os cotovelos nos joelhos. Sentei-me ao lado dele e peguei na mão dele e disse:
 -Se calhar é melhor esquecer-mos isto, como disseste... Acho que não vale a pena, nós sempre fomos muito próximos e não vamos estragar isso, ok? - eu só queria desatar a chorar, mas não podia, tinha de o apoiar.
 -Obrigado... Mas não és tu que me devias estar a consolar, supostamente eu é que tu deveria estar a fazer.
 -Eu sei, mas neste momento acho que é a ti que eu devo estar atenta e não a mim. Eu quero ajudar-te.
 Ele olhou para mim e sorriu, os seus olhos pareciam que penetravam os meus.
 -Queres ver um pouco de televisão, para nos ajudar a esquecer isto tudo? Sabes quantos canais isto tem? - disse tentando desviar o assunto e alegrar o meu amigo.
 -Pode ser, acho que tem uns 100 canais.
 -Hum... vamos ver onde está a Sic Radical, já são onze da noite, deve estar a dar alguma coisa porca, o que te vai alegrar, hã?
 -Tens a certeza? Vê lá se depois não vais a correr para a casa-de-banho vomitar!
 Começámos a rir e eu finalmente encontrei o canal.
 -Como era de esperar cá está! Cenas porno!
 -Olha... - dando-me um encontrão fraquinho.
 -O que é?
 -Não queres ver outra coisa? Uma série para rir, por exemplo?
 -Se calhar é melhor... não estou a gostar nada desta cena... - ele olhou para a minha cara de nojo e riu-se.
 -É melhor mudares, vai ficar ainda pior.
 -A sério? Como é que vocês conseguem ver isto?
 -Isso agora...!
 -Ó meu Deus, que nojo!
 -Dá cá o comando, eu mudo!
 -Ó meu... obrigada!
 -Hum... para mim tu estavas a gostar...
 -Quê!?
 -Sim, nunca mais mudavas de canal!
 -Deve ser, deve!
 Desta vez as gargalhadas foram mais altas. Ficámos os dois a ver a série de comédia, a mais estúpida que eu já vi, no intervalo fui preparar umas sandes mistas com batatas fritas e o Diogo foi procurar um tabuleiro e uma manta.
 Quando a comédia acabou já estávamos a dormir e eu estava contente... e ansiosa pelo dia de amanhã!

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