6º Capítulo
-O que raio estas a fazer Carlos!? - pergunta Diogo, preocupado.
-Ela está a mentir-me! Ela fez alguma coisa ao Pedro, eu sei!
-Eu não lhe fiz nada!
-Mentirosa!
-Ei! Ei! Calma, meu! Do que é que estás a falar!?
-Sim! Como é que ela o podia fazer, é uma rapariga, Carlos! - defende-me, conseguia ver a aflição nos olhos da Matilde a tentar defender-me.
-Estás passado da tola, não!? Acho que o leite te subiu à cabeça!
-Ai, sim? Então diz-me lá o que é que estavas a fazer na casa de banho dos rapazes com o Pedro?
-O quê!? A Rita? - perguntou Diogo juntamente com a Matilde.
-Eu não quero falar sobre isso, ok?
-Fala! - insistiu Carlos.
-Rita, do que é que ele está a falar? Como assim estavas na casa de banho dos rapazes? - pergunta-me via se que ao Matilde estava confusa...
E eu já não conseguia aguentar mais o cheiro do sangue do Carlos, estava a entrar na minha cabeça... e não conseguia ficar quieta, só me lembrava do Pedro!
-Eu não sei o que estava a fazer, ok!? - gritei -... eu não conseguia parar, ok!? Eu... eu... eu sabia o que estava a fazer, mas não conseguia parar! Eu não consegui... parar...! - desatei a chorar, e o telemóvel do Pedro caiu do meu bolso, quando me ajoelhei...
-Esse telemóvel é do Pedro! O que é que fazes com ele!?
Olhei para o telemóvel caído no chão e foi então que me lembrei...
-Desculpa, mas vai ter de ser o rio.
Levantei-me e vi as caras confusas, e comecei a correr na direcção do portão para ir para casa, embrulha-lo e atira-lo ao rio, era a única maneira, não gostava nada da ideia mas tinha de ser...
Cheguei a casa e fui a correr até à dispensa onde ele estava. Consegui embrulha-lo, mas não estava a ter tanto sucesso pô-lo na rua... como é que o iria fazer sem chamar as atenções!? Ainda por cima vi o Carlos, o Diogo e a Matilde a virem até ao prédio. E agora?
-Rita, abre a porta! Rita! - gritava Carlos da rua. - Eu sei que estás ai! Abre!
Estava a ficar cada vez mais nervosa... não tinha ideias! Estava a olhar para os carros quando reparei numa carrinha familiar... E a carrinha preta de sexta-feira... Foi quando os meus problemas começaram. Decidi tentar de alguma maneira chamar a atenção do gorila que estava ao volante, mas como estava um pouco longe.
-Rita! Por favor abre a porta! - suplicou Matilde... eu queria, mas não podia...
Fui buscar uma cartolina grande e uns marcadores pretos, e escrevi «Eu não consegui controlar-me!» e nas costas «Ajuda-me!!!». Fui para a pequena varanda, abri a porta e gritei:
-Gorila! - e tentei chamar a atenção dele abanando os braços até que por fim ele olhou e eu mostrei a cartolina.
Ele virou-se para trás e a porta de correr das traseiras da carrinha preta, abriu-se e saíram de lá dois gorilas que vieram direitinhos à porta do meu prédio afastaram os meus amigos e eu fui abrir a porta, eles entraram e começaram a subir até ao 4º andar, onde eu estava, de elevador. O elevador parou e eles saíram de lá e vieram na minha direcção, pararam, olharam para mim e perguntaram do que é que eu precisava e contei-lhes o que aconteceu e pedi-lhes que me ajudassem a deitar o cadáver ao rio ou então ajudar-me a esconde-lo e eles aconselharam-me a sair do prédio e que fugisse de maneira a que os meus amigos me vissem e viessem atrás de mim e assim o fiz, sai do prédio e fiz com que os meus amigos me seguissem. Eles asseguraram-me que depois de terem tirado o corpo do meu apartamento iriam buscar me onde quer que eu estivesse. Fiquei aliviada mesmo estando a fugir dos meus amigos...
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