7º Capítulo
Estava a ser difícil de despistá-los. Não parava por nada. Sempre que gritavam o meu nome eu, na maior parte das vezes, olhava para trás e dizia «Desculpem-me...» Mas algo chamou a minha atenção, uma rapariga por volta dos 20 anos, gritava o meu nome, estava com um fato preto era parecido ao dos gorilas, estava numa esquina. Olhei para trás mais uma vez e atravessei a estrada, quase que ia sendo atropelada, mas não me ralei, não me importava se morria ou não, eu só queria fugir dos meus amigos, não os queria enfrentar de novo, fui ter com a rapariga e ela juntou-se à corrida e começou a falar comigo, mas não a conseguia ouvir... mas percebi «... os meus colegas devem de estar a chegar...» ela olhou em frente e eu fiz o mesmo e vi a carrinha preta a vir na nossa direcção, a porta de correr estava a ser aberta e a única coisa que me ocorreu foi...:
-Vamos saltar para dentro da carrinha em andamento!? - quase sem entoação, olhei para ela, e ela acenou com a cabeça. -Ó meu Deus!
-As três saltamos! - ordenou. Eu estava aterrorizada, mas eu sabia que o tinha de fazer, se queria fugir deles.
-Um! Dois! Três! -saltamos as duas, para dentro da carrinha em andamento. Rolámos as duas no chão do veículo, eu fui contra a perna de um dos gorilas e ela foi contra a parede.
Levatamo-nos, cada uma a seu ritmo, ela levantou a cabeça e olhou me nos olhos, a arfar com rapidez.
-Foi... uma boa... corrida... Ufa! - tentou falar, mas a respiração ofegante do esforço físico imposto à segundos não a deixou. -Eu sou a Inês, és a Rita, certo? - esticou o braço e abriu a sua mão esperando a minha.
-Sim, sou. -estiquei o braço e abri a mão também, para o aperto de mão, em forma de cumprimento.
-Corres depressa, para teres 16 anos! - sorriu.
-Obrigada!
Era atlética e bonita. E tinha uma voz calorosa como a do rapaz que encontrei da primeira vez que aqui entrei, mas não era tão alegre.
-Já agora, tenho de admitir que é a primeira vez que vejo outro vampiro tão velho, especialmente, em forma e vivo. És o primeiro vampiro a ter 16 anos, sendo filha de um humano e de um vampiro.
-O quê?
-Sim, és meio-humana e meio-vampiro. O teu pai era humano e a tua mãe era vampiro.
-A minha mãe?
-Sim... porquê?
-Você disse «era», porquê? Os meus pais estão vivos!
-Estás a falar dos teus pais adoptivos ou os teus pais biológicos? Se estás a falar dos adoptivos, esses também já estão mortos. Já agora, não me trates por «você» eu só tenho 19 anos, trata me pelo meu nome!
-Pais adoptivos!? Também estão mortos!?
-Os teus pais biológicos morreram assassinados por caçadores de vampiros à 16 anos, pouco depois de teres nascido. E os teus pais adoptivos foram mortos ontem. Eles não podem saber que és um vampiro, por isso, matámos-los. - ela disse isto com uma indiferença, que só me apetecia atirar-me a ela...!
-Se o meu pai biológico era humano porque foi morto por caçadores?
-Ele tentou proteger a tua mãe levando um tiro por ela...
-Então e os meus amigos? O Carlos, o Diogo e a Matilde, também vão ser mortos?
-Ainda não sabemos.
-Porque disseste aquilo? De ser a primeira vez que vias um meio-vampiro com 16 anos em forma e vivo?
-Bem, não és a primeira vampiro a nascer de um vampiro e de um humano, mas és a primeira ainda viva, até agora, aos 16 anos. O máximo dos outros vampiros foi de 10 anos, a partir daí, perdiam as suas capacidades, deixavam de conseguir andar, mexer e falar até morrerem, isto num espaço de 90 dias. -desta vez, já estava mais incomodada.
-E agora?
-Não te preocupes com isso agora, encosta-te e relaxa, quando chegarmos explico-te melhor o que vai acontecer, ok?
-Ok... - não estava muito convencida, mas estava cansada, por isso, fiz o que a Inês me aconselhou.
Passado um bom bocado acabei por adormecer. E pela primeira vez, consegui deixar de lado os problemas.
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